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O mês de Outubro já é conhecido mundialmente como um mês marcado por ações afirmativas relacionadas à prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. O câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%. É uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor, sendo assim o diagnóstico precoce ainda é o maior aliado para o tratamento eficaz do câncer de mama. Quando identificado cedo pode ser tratado, impedindo que o tumor alcance outros órgãos. Mas como se prevenir?

Dos exames disponíveis, a mamografia ainda é o padrão ouro para a realidade do nosso país, como primeiro método utilizado para o rastreamento. Porém, o número de mamografias realizadas vem caindo consideravelmente em relação aos outros anos, paradoxalmente considerando que o acesso da população a informação tenha crescido, e não estou nem me referindo ao ano pandêmico que estamos vivendo. Vamos então reforçar e esclarecer alguns pontos. Mulheres assintomáticas e sem histórico familiar, devem começar a realizar a mamografia a partir dos 40 anos. Com histórico familiar, a conduta é individualizada para cada caso. “Mas doutora, mamografia dói e tem radiação!” Sim, não é um exame totalmente indolor, mas é rápido e seguro, pois as doses de radiação são mínimas. A ultrassonografia mamária, método mais popularmente divulgado, NÃO substitui a mamografia, na verdade são exames COMPLEMENTARES, cada um para sua finalidade. Um não é melhor que o outro, sendo métodos específicos para achados específicos. O protocolo correto e idealmente estudado, primeiro realiza-se a mamografia que será avaliada pelo mesmo profissional a executar o exame de ultrassom, mas não sendo possível, ela deverá ser realizada primeiro e levada para ser analisada junto com a ultrassonografia. O SUS disponibiliza esses exames na atenção primária de saúde apenas para mulheres com 50 anos ou mais, o que deve ser revisto, pois vemos um número crescente de mulheres acometidas cada vez mais jovens.

O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim as chances de tratamento e cura. Então não deixe que o medo do exame lhe impeça de se prevenir.

Procure uma clínica especializada, tente manter seu histórico com o mesmo profissional. Cada mama tem uma história a ser contada que requer alguém capacitado para escrever o final feliz.

Procure um ginecologista ou mastologista para realizar uma consulta, tirar as dúvidas e faça seus exames sempre com um médico radiologista. Se informe se ele é especializado em imagem da Mama. Verá, que fará toda a diferença.

 

 

 

Dra. Adeicla Agripino

CRM/RS 37569 RQE 35438

Radiologista Titulada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia.

Graduada pela Universidade Federal de Pelotas.

Médica Radiologista pela Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa/PR.

Especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Mama pelo Hospital Mãe de Deus/Porto Alegre.

Responsável Técnica pela clínica Nova Radicom e Coordenadora do serviço interno de atenção à saúde da mulher.

Integrante da equipe de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Mama do Hospital Unimed Vale dos Sinos/Novo Hamburgo.

 

 

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

 

Apresentação:

Dra. Adeicla Agripino

Radiologista Titulada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia.

CRM/RS 37569 RQE 35438

Graduada pela Universidade Federal de Pelotas.

Médica Radiologista pela Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa/PR.

Especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Mama pelo Hospital Mãe de Deus/Porto Alegre.

Integrante da equipe Cardioclin em Rio Pardo, realizando ecografia geral e da saúde da mulher, Densitometria óssea e futura interpretação de exames de RX.

 

  1. Quais os exames devem ser feitos, nesses momentos?

A mamografia ainda é o padrão ouro disponível para a realidade do nosso país, como primeiro método utilizado para o rastreamento. A ecografia mamária, método mais popularmente divulgado, NÃO substitui a mamografia, na verdade são exames COMPLEMENTARES, cada um para sua finalidade. Um não é melhor que o outro, sendo métodos específicos para achados específicos, como em mamas densas, que a acuidade do método mamográfico fica reduzida. A mamografia idealmente, deve ser realizada primeiro e levada para ser analisada junto com a ecografia.

  1. Qual a importância da prevenção e diagnóstico precoce?

O diagnóstico precoce ainda é o maior aliado para o tratamento eficaz do câncer de mama. Quando identificado cedo pode ser tratado, impedindo que o tumor alcance outros órgãos, aumentando assim as chances de tratamento e cura. A prevenção com exames de rotina anuais é a principal arma para o diagnóstico precoce.

  1. Qual a idade recomendada para fazer a mamografia?

Mulheres assintomáticas e sem histórico familiar, devem começar a realizar a mamografia a partir dos 40 anos. “Mas doutora, mamografia dói e tem radiação!” Sim, não é um exame totalmente indolor, mas é rápido e seguro, pois as doses de radiação são mínimas. Ela deve ser realizada anualmente e não tem idade limite, respeitando as devidas condições clínica e de expectativa de vida da paciente. Já, a ecografia mamária pode ser realizada em qualquer faixa etária, sendo o método utilizado em mulheres antes dos 40 anos e depois, sempre como método complementar a mamografia.

  1. É possível fazer autoexame em casa? Como a mulher pode fazer ele?

A melhor época do mês para que a mulher que ainda menstrua avalie as próprias mamas para procurar alterações é alguns dias após a menstruação, quando as mamas estão menos inchadas. Para as mulheres que já passaram a menopausa, este autoexame pode ser feito em qualquer época do mês.

Em frente ao espelho:

Posicione-se em frente ao espelho;

Observe os dois seios, primeiramente com os braços caídos;

Coloque as mãos na cintura fazendo força;

Coloque-as atrás da cabeça e observe o tamanho, posição e forma do mamilo;

Pressione levemente o mamilo e veja se há saída de secreção.

 

Em pé (pode ser durante o banho):

Levante seu braço esquerdo e apoie-o sobre a cabeça;

Com a mão direita esticada, examine a mama esquerda;

Divida o seio em faixas e analise devagar cada uma dessas faixas. Use a polpa dos dedos e não as pontas ou unhas;

Sinta a mama;

Faça movimentos circulares, de cima para baixo;

Repita os movimentos na outra mama.

 

Deitada:

Coloque uma toalha dobrada sob o ombro direito para examinar a mama direita;

Sinta a mama com movimentos circulares, fazendo uma leve pressão;

Apalpe a metade externa da mama (é mais consistente);

Depois apalpe as axilas;

Inverta o procedimento para a mama esquerda.

 

  1. Quais os sintomas de alerta para o câncer de mama?

Os sinais e sintomas do câncer podem variar, e algumas mulheres que têm câncer podem não apresentar nenhum destes sinais e sintomas. De qualquer maneira, é recomendável que a mulher conheça suas mamas, e saiba reconhecer alterações para poder alertar o médico. Vale a pena lembrar que na grande maioria dos casos, a vermelhidão, inchaço na pele e mesmo o aumento de tamanho dos gânglios axilares representam inflamação ou infecção (mastite, por exemplo), especialmente se acompanhados de dor. Mas como existe uma forma rara de câncer de mama que se manifesta como inflamação, estes achados devem ser relatados ao médico da mesma maneira, e a mulher deve passar por um exame clínico, obrigatoriamente

- Nódulo único endurecido;

- Irritação ou abaulamento de uma parte da mama;

- Inchaço de toda ou parte de uma mama (mesmo que não se sinta um nódulo);

- Edema (inchaço) da pele;

- Eritema (vermelhidão) na pele;

- Inversão do mamilo;

- Sensação de massa ou nódulo em uma das mamas;

- Sensação de nódulo aumentado na axila;

- Espessamento ou retração da pele ou do mamilo;

- Secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos;

- Inchaço do braço;

- Dor na mama ou mamilo.

  1. Quando é recomendado que mulheres façam a mamografia mais cedo?

Só em casos específicos de histórico familiar de câncer de mama em primeiro grau materno, como mãe, irmãs, avó materna, mas tudo analisado de maneira bem específica. Atenção deve ser dada às pacientes com antecedentes familiares importantes de câncer de mama, particularmente quando há casos na família de mulheres acometidas antes dos 35 anos de idade. A ressonância magnética vem ganhando espaço nesses casos, principalmente pelo fato de mamas jovens serem mais densas, característica essa que diminui a sensibilidade dos métodos convencionais.

  1. Existem fatores de risco para ter câncer de mama?

 

O câncer de mama é causado por alterações genéticas, diretamente relacionadas à biologia celular, que podem ser estimuladas por fatores ambientais tais como: tabagismo, uso de hormônios (TRH – terapia de reposição hormonal por tempo prolongado), obesidade, fumo e alcoolismo. Também é mais frequente nas mulheres que tem início da menstruação em idade muito jovem e menopausa tardia. Em 5 a 10% dos casos o tumor decorre de mutações genéticas encontradas em grupos familiares, e é mais frequente em determinados grupos étnicos como, por exemplo, as mulheres brancas, caucasianas, particularmente as judias de origem europeia.